Como é o mercado em Portugal? (empreendedorismo, mercado de trabalho, comportamento de consumo e etc

Empreender em Portugal é possível? Qual a realidade mercadológica do país? E o consumo, como funciona?

Gravei um podcast com este conteúdo completão, e também deixo ele aqui em texto para quem preferir.

"Viajar é a única coisa que você compra e que te deixa mais rico" De fato, é inevitável estar com olhos mais atentos e observadores quando estamos fora de nossa cultura e sociedade. Tudo parece se destacar mais. As coisas semelhantes e aqueles bem diferentes. Eu sou a Vitória Schefer, Consultora de Marketing e apaixonada por empreendedorismo, marketing e redes sociais, e há 60 dias eu e meu namorado nos mudamos, de mala e cuia, para Porto, Portugal. Firmei um compromisso comigo e com vocês de que não iria deixar as descobertas e aventuras dessa experiência só para mim, mas sim que dividiria muito com vocês. É por isso que hoje eu vou convidar vocês a falarmos sobre as minhas primeiras impressões sobre o mercado português. Importante deixar claro já agora que essas são realmente minhas primeiras impressões e que ao longo dos próximos meses algumas delas podem não se confirmar tal qual e eu farei questão de ressaltar isso para vocês caso eu perceba. Ah! Se tu ainda não me acompanha, segue no Insta @vitoria.schefer e @viva.oporto Decidir separar em 10 tópicos, mas eles são interligados, então vamos ver se dá certo! 1 - TAMANHO DO MERCADO Premissa básica que eu subestimei totalmente antes de chegar aqui: Portugal é um país muuuito pequeno. Hoje habitam o país pouco mais de 10 milhões de pessoas. No Brasil já são 210 milhões!! É uma diferença de “SÓ” 200 milhões. Isso significa que tudo é mais perto, o que é muito bom. Mas também que o consumo é menor, afinal são menos pessoas. A relação entre comércio e consumo é um pouco diferente e isso tem tudo a ver com o tópico 2 2 - SALÁRIO MÍNIMO O salário mínimo de Portugal é de 600 euros, sendo que a média salarial é de 850 euros. Esse é um dos salários mais baixos da União Europeia, porém o custo de vida também é mais baixo. A maior parte desse salário é gasto com arrendamento/aluguel, por isso é bastante apertado morar sozinho e conseguir pagar todas as contas com um salário mínimo aqui no Porto, mas não é impossível. Já para um casal ou uma família pequena com duas rendas equivalentes, pode-se levar uma vida bem confortável, mas sem luxos por aqui. Taí o gancho perfeito para o tópico 3. 3 - LÓGICA DE CONSUMO Pelo que observei nesses primeiros 60 dias, as pessoas por aqui não são tão consumistas. De onde eu tirei isso? Bom… basta olhar para as pessoas PORTUGUESAS na rua: elas não parecem nem um pouco ter saído de uma passarela. Muitas vezes as roupas estão bem surradas, os calçados também. Pouca maquiagem, combinações aleatórias. ATENÇÃO: isso não é uma crítica, bem pelo contrário. Fico muito feliz em perceber hábitos de consumo mais sustentáveis por aqui do que no Brasil. Aqui a aparência não tem tanta vez quanto nosso Brasilzão, onde muita gente de endivida pra comprar “brusinhas” novas todo mês, afinal precisa estar na moda e de roupa nova sempre. Aqui mesmo nem tem como fazer isso. Assim como nos EUA, não existe parcelamento de compras: ou tem ou não compra. É raro ver cartões de fidelidade com esse tipo de benefício e concessão de crédito não é tão fácil. Em resumo, na lógica de consumo aqui imperam as prioridades: contas fixas da casa, alimentação e transporte. O que sobra pode ser investido em ou outro luxo ao longo do mês. Mas como isso impacta o poder de compra aqui? 4 - PODER DE COMPRA Sabendo que a lógica de mercado é, na massiva maioria, sem consumo por status (se fica mais fácil chamar assim), os estabelecimentos, em seu posicionamento, precisam decidir se: vender para um percentual pequeno um produto/serviço de valor agregado mais alto e um custo mais elevado, ou se querem atingir a maior parte dos consumidores em potencial e oferecem produtos/serviços com custo mais baixo. Essa lógica não tem nada a ver com qualidade, mas sim o poder de compra. Um dos pontos mais positivos do consumo por aqui é que a maior parte dos bens de consumo, inclusive aqueles mais almejados, são acessível a maior parte da população. Desde fones de ouvido, smartphones, notebooks e até bons carros. Por exemplo, por aqui um iPhone 11 custa (hoje, outubro/2019) 829euros. SIM! Isso é MUITO dinheiro! Não é nem um pouco barato! É mais ou menos um salário mínimo e meio. MAS PARA E PENSA COMIGO: Dá pra comprar o mesmo iPhone 11 por R$1500 no Brasil? Não dá!! Na verdade, custa 5 vezes um salário mínimo brasileiro, o que praticamente inviabiliza a compra de um bem como esse. E quais são as consequências disso? A desigualdade que o tópico 5 do nosso papo 5 - DESIGUALDADE A maior prova da taxa baixíssima de desigualdade em Portugal é o índice de criminalidade. É um dos países mais tranquilos da Europa, isso porque a passiva maioria das pessoas ganha mais ou menos a mesma coisa e, por isso, o mercado se ajusta de forma que todos tenham acesso a quase tudo, afinal ainda estamos falando de um país capitalista (ou será que nem tanto?) Bom, essa discussão rende um podcast sozinho, então bora para o tópico 6 - MERCADO DE TRABALHO 6 - MERCADO DE TRABALHO Lembra que falamos sobre Portugal ser um país pequenininho? Pois é! O mercado de trabalho reflete isso. Por isso o acesso à educação e formação superior é muito mais fácil e barato do que no Brasil. Isso significa que temos muitos profissionais formados em diversas áreas, MAS não tem mercado para todos. É triste mais é verdade: muitos profissionais como engenheiros e advogados, não atuam em suas áreas técnicas. Ok! Eu sei que no Brasil é igual, mas, embora não pareça, nós temos, proporcionalmente, muito menos profissionais formados do que aqui. A consequência disso é o tópico 7 7 - EMIGRAÇÃO DOS PORTUGUESES O que acontece é que muitos desses profissionais, especialmente os jovens portugueses, acabam por se mudar para outros países europeus onde o salário é mais alto e eles podem atuar em suas áreas. Aos que ficam aqui, resta procurar uma vaga de emprego e, preferencialmente, ter uma indicação interna, ou trabalhar em vagas de trabalho não-técnicas, como atendentes e operacionais. O resultado disso é um mercado crescendo em função do turismo nos grandes centros do país e poucas pessoas para trabalhar nas áreas mais básicas, por isso tem tanto brasileiro vindo pra cá e conseguindo emprego. Uma das coisas que mais se fala sobre a Europa aí no Brasil é o quanto os sistemas públicos funcionam e esse é o nosso oitavo tópico 8 - SISTEMAS PÚBLICOS Há de se ressaltar também que, assim como nós imaginamos, os sistemas públicos aqui são muito bons. Os hospitais públicos são bons, sem luxo, mas bons. As escola são muito boas. O transporte também. Mas veja bem: mesmo sendo público, aqui se PAGA por tudo, mesmo sendo uma taxa quase “simbólica”. Seja no hospital para uma consulta médica ou uma emergência, seja para estudar numa universidade federal, todos PAGAM por isso. E sabe.. acho bastante razoável essa lógica, afinal o benefício desse investimento retorna. Portugal tem muitos pontos incríveis, mas se tem um que nos incomoda muito é o 9; 9 - SUBDESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO Embora a área de TI esteja crescendo muito por aqui, o país ainda parece engatinhar na parte tecnológica dos serviços. Desde não aceitar cartão em diversos lugares, até sistemas de informação do século passado para integrar órgãos e informações públicas. Mas, bem, pode-se ver isso como um problema ou como uma oportunidade. O fato é: alguém precisa dar um jeito nisso (kkk) E, por fim, vamos falar do tópico 10 que são os 10 - SERVIÇOS RUINS Sim, assim como no Brasil e em qualquer lugar do mundo, existe muita prestação de serviço ruim. Seja no atendimento de um restaurante ou no call-center da companhia de telefonia, aqui tem muito serviço mal prestado. Durante esses 60 dias, já perdi as contas de quantas vezes, tanto conosco quanto com amigos e conhecidos, dois atendentes da mesma empresa informaram coisas diferentes sobre o mesmo assunto. Isso quanto um deles decide que “não tem como fazer/não é responsabilidade dele/não há solução” e na outra loja se consegue resolver o problema num piscar de olhos. Bom, entre pontos fortes e fracos, bons e ruins, Portugal tem se mostrado um país muito bom de se viver. E a nossa experiência por aqui está só começando. Por isso, aproveita pra me seguir no Insta no @vitoria.schefer e no @viva.oporto Sugere outros temas e assuntos que podemos falar por aqui e até a próxima!

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